Com gols de Villa e Iniesta, Fúria se recupera do início ruim na Copa, bate o Chile por 2 a 1 e escapa do confronto com os pentacampeões nas oitavas

Brasil x Espanha? Só se for no dia 11 de julho. O confronto entre dois dos maiores favoritos ao título na África do Sul só pode acontecer caso os dois cheguem à final. Com um jogão no primeiro tempo e clima morno no segundo, a Fúria venceu o Chile por 2 a 1 nesta sexta-feira, em Pretória, e garantiu o primeiro lugar do Grupo H. O resultado coloca a seleção chilena no caminho do time de Dunga nas oitavas de final. O atual campeão europeu foge dos pentacampeões mundiais, mas terá um clássico pela frente: o vizinho Portugal.

A equipe de Vicente del Bosque, que terminou a primeira fase com seis pontos e melhor saldo de gols que a de Marcelo Bielsa (2 a 1), vai enfrentar os portugueses na próxima terça, às 15h30m (de Brasília), na Cidade do Cabo. Já o Brasil encara o Chile na segunda, no mesmo horário, em Joanesburgo (Ellis Park). Suíça e Honduras empataram em 0 a 0 morreram abraçadas.

A Fúria se recuperou bem do tropeço na estreia, contra a Suíça, e venceu duas partidas seguidas (fez 2 a 0 em Honduras) jogando bem. O time ainda viu David Villa fazer história no Loftus Versfeld: com um gol marcado, o novo atacante do Barcelona chegou a seis e tornou-se o maior artilheiro espanhol em Copas (também é o goleador do Mundial atual com três, ao lado de Higuaín e Vittek). O segundo gol espanhol foi de Iniesta, ambos no primeiro tempo. Na etapa final, Millar descontou para o Chile.

Pelo encadeamento da tabela, Brasil e Espanha agora só podem se encontrar na decisão. Nas quartas, o vencedor do confronto entre o time de Dunga e o de Bielsa vai pegar Holanda ou Eslováquia. Na semifinal, o rival virá da chave que tem Uruguai x Coreia do Sul e EUA x Gana.

No outro lado da tabela, o vitorioso de Espanha x Portugal encara quem sair de Japão x Paraguai nas quartas. Na semifinal, o rival virá de Alemanha x Inglaterra ou Argentina x México.
Chilenos comemoram Chile espanhaJogadores chilenos agradecem o apoio da torcida: próximo rival será o Brasil, nas oitavas (Foto: Reuters)

O jogo

Vicente del Bosque contou com a volta de Iniesta, recuperado de dores musculares, e deixou Navas no banco. Mas a Espanha demorou a se encontrar no primeiro tempo. Fernando Torres, aos quatro, foi mais rápido que a zaga e teve boa oportunidade, desperdiçada com chute para fora. Famosa pelas boas trocas de passe, a Fúria viu o rival trabalhar melhor a bola no início do jogo. E o time de Marcelo Bielsa quase abriu o placar assim.

Aos nove, Isla tocou para Beausejour, que abriu as pernas, correu e deixou passar para Valdivia, O Mago tocou de primeira para Beausejour pela direita, o camisa 15 entrou na área e cruzou, mas a bola encostou no calcanhar de Sergio Ramos e atrapalhou o chute de Mark Gonzalez, que bateu por cima.

Bem organizada, a seleção sul-americana ainda deu dois sustos em Casillas. Aos 11, Estrada arriscou de longe e obrigou o goleiro a se esforçar para defender. Três minutos depois, Sanchez quase pegou o ídolo do Real Madrid adiantado: da ponta da área, o camisa 7 chutou para encobrir o goleiro, que salvou com a ponta dos dedos.

A sorte do Chile começou a mudar após este lance. Três cartões amarelos seguidos mostraram que alguma coisa estava dando errado: Medel, por falta em Busquets; Ponce, por dar um coice em Torres; e Estrada, também por falta em Busquets.

Na defesa, os chilenos erravam lances bobos. Mas foi no ataque o erro fatal. Valdivia foi tentar driblar Xabi Alonso e perdeu a bola. O camisa 14 espanhol dominou e lançou para Fernando Torres pela direita, o goleiro Claudio Bravo chegou antes e cortou fora da área, mas a bola caiu nos pés do artilheiro: de primeira, lá de longe, David Villa acertou o alvo e marcou.

Gol histórico: agora com seis, o atacante é o maior goleador da Fúria em Copas, passando Butragueño, Hierro, Morientes e Raul, com cinco. Ao lado de Higuaín (Argentina) e Vittek (Eslováquia), o novo craque do Barcelona é o artilheiro da Copa, com três.

O Chile quase empatou com Beausejour logo em seguida, com um chute rente à trave direita de Casillas. Mas a Espanha passou a dominar e exibir as boas trocas de passe. Assim saiu seu segundo gol. Aos 37, Iniesta roubou a bola e tabelou com Fernando Torres, que correu para receber de volta mas caiu após choque com Estrada. Iniesta deu para Villa na esquerda, recebeu de volta e pegou de primeira no canto esquerdo de Bravo: 2 a 0.

Após o gol, o árbitro mexicano Marco Rodriguez ainda expulsou Estrada pela jogada com Torres, gerando muita reclamação dos chilenos. Na saída para o intervalo, os jogadores de Bielsa cercaram o juiz para pedir explicações.

Mudanças de Bielsa funcionam

O Chile voltou para o segundo tempo com duas mudanças: saíram Valdivia e Gonzalez para as entradas de Millar e Paredes. As trocas de Bielsa deram certo. Logo no primeiro lance, os chilenos descontaram: Millar chutou, a bola bateu no joelho de Piqué e encobriu Casillas, reduzindo a vantagem espanhola para 2 a 1.

Aos dez, Del Bosque tirou Fernando Torres, que ainda aparenta estar sem ritmo de jogo, e colocou Fábregas, um dos queridinhos da torcida. Em sua primeira jogada, o camisa 10 deu um toque de calcanhar, mas Villa acabou desperdiçando a chance.

Como manda o figurino, os comandados de Del Bosque passaram a cozinhar o jogo. Sabendo que um gol do Chile colocaria seu time no caminho do Brasil, a Espanha tocou para lá, tocou para cá, e assim driblou a pressão adversária. Como sentia o risco da desclassificação, caso levasse um gol e a Suíça vencesse Honduras, o time de Bielsa também resolveu não arriscar. O segundo tempo ficou morno e assim correu até o fim.

Fonte: http://www.globoesporte.com

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