Murici – E agora José? A casa caiu à cheia matou, a chuva passou, o rio secou, o povo votou e a eleição acabou. Cinco meses depois de perder a residência e um velho amigo, arrastados pela enxurrada do Rio Mundaú, José Taciano da Silva é um dos 200 desabrigados que voltaram a bloquear ontem a rodovia BR-104, em Murici. José e seus pares de sofrimento pelejam há quase três meses no “forno” das barracas de plástico montadas pela Defesa Civil e não vêem nenhum tijolo ser levado para o local onde as casas deveriam ser construídas.

Revoltados com o corte no fornecimento de água e cestas básicas, os acampados interditaram a pista, no quilômetro 58, logo às 7 horas, provocando um congestionamento de mais de três quilômetros. “Antes da eleição, o povo da prefeitura e do governo ainda dava uma assistenciazinha, tinha uma preocupação em, pelo menos, enrolar o pessoal, mas depois que todo mundo votou neles, ninguém aparece mais, abandonaram a gente de vez”, reclama José Taciano.

Crianças estão adoecendo no local

Segundo Maria Aparecida da Conceição, quase todas as crianças do acampamento estão doentes. “As crianças estão com diarréia por causa da quentura e a comida fica estragada. Botei uma palma de banana verde na barraca, de manhã, quando foi à tarde ela já tava madura. Não sei se ficou madura mesmo ou se chocou com o mormaço. Queremos as nossas casas, ninguém vê nem sinal da obra”.

Com o protesto em pleno feriado da República, a presença da polícia e de autoridades para negociar a liberação da pista era quase nula. Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal deu uma passada, ficou menos de cinco minutos, atravessou o bloqueio e seguiu viagem. Por volta das 10 horas, duas guarnições da Polícia Militar chegaram ao local, mas não interviram, nem negociaram, até porque o movimento não tinha lideranças.

Fonte: gazeta de alagoas

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