Sem identificação, as duas equipes estavam atrás de um mesmo traficante.

Classificado oficialmente como mal-entendido e fatalidade, um tiroteio entre policiais civis e federais terminou em morte hoje, na BR-232, no bairro do Curado. Na troca de tiros entre as equipes, que estavam sem identificação, disparos atingiram o peito do agente federal Jorge Washington Cavalcanti de Albuquerque, de 57 anos, que atuava na PF há 32 anos. Seu colega, Sílvio Romero Moury Fernandes dos Santos, 40, foi atingido na barriga, passou por cirurgia no HR e não corre risco de morte.

Os agentes da Polícia Civil e da Polícia Federal realizavam operações diferentes mas que tinham o mesmo alvo: o traficante de drogas Wagner Alves do Nascimento, 24, que está preso. A PF instaurou inquérito para apurar os fatos. O secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, admitiu que houve falhas de comunicação. O tiroteio causou mal-estar entre as corporações.

Antes da troca de tiros, o traficante foi interceptado por agentes federais no TIP, por volta das 10h. Ele chegava de Fortaleza trazendo 17,4kg de pasta base de cocaína numa mochila. Wagner foi preso quando pegava um táxi que o levaria até uma parada de ônibus, no Curado. Era lá que estaria o receptor. Com essas informações, os policiais federais decidiram se dividir.

Enquanto Jorge Washington e Sílvio Romero acompanhavam o traficante no táxi, colegas faziam a escolta num Astra, não-identificado. Ao chegar no ponto combinado, um Gol sem identificação, com três policiais civis, também estava no local. De acordo com o taxista, que foi ouvido como testemunha pela PF, os policiais civis começaram a atirar sem se identificar. Assim como os federais, também queriam fazer o flagrante.

Segundo Wilson Damázio é precipitado dizer de onde partiram os primeiros tiros. ´Vamos investigar. Perdi um companheiro`, afirmou, com lágrimas nos olhos. Também emocionado, o superintendente da PF em exercício, Marcelo Cordeiro, disse que as falhas serão apuradas e, caso seja comprovado que os civis acertaram os federais, eles podem responder por homicídio culposo, sem intenção de matar.

Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO 
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