Estamos iniciando o mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Nesse ano também se comemora o centenário da instituição dessa importante data. Em São Sebastião, as datas foram relembradas na grade de programação da rádio comunitária Salomé. Esta também transmitiu um programa dedicado exclusivamente à luta dos movimentos femininos e feministas, que englobam mulheres de todo o mundo, como a Marcha Mundial de Mulheres.

Nesse 2010, a Marcha Mundial de Mulheres realizará a 3ª ação internacional em mais de 40 países e abrangerá 4 campos principais: trabalho das mulheres (que busca a autonomia econômica), bem comum e políticas públicas (que preconizam a solidariedade e a melhoria das condições sociais), a violência contra as mulheres (com forte combate à violência doméstica e ao femicídio) e a construção da cultura da paz e da desmilitarização (com focos no combate à cultura midiática de fomentação das diversas espécies de violência, bem como as ocupações militares, que são chamadas de %força de paz”).

As lembranças das lutas são motivo de alegria e de renovar o esperançar.  Paralela as alegrias e esperanças, uma forte tristeza sentimentou a muita gente nesta Terra das Rendas. No início desse mês, aqui, aconteceu mais um femicídio. Como a reforçar a tristeza, esse femicídio foi o 1º a ser praticado por uma mulher contra uma outra.

Na origem de mais esse femicídio e contexto de violência haveria um misto de ruins condições sociais e questões sentimentais?  Seria “apenas” o ciúme o motivador de mais um crime? Ou a aparência desse ciúme encobriria o sentimento machista da sociedade e as más condições sociais, que teriam forçado mulheres a se conflitarem em um “Bar das Inocentes”?

Mas, femicídio é o quê?

È o assassinato de mulher em razão dessa qualidade. Assassinato por questão do aspecto sexual. Femicídio é a nova denominação dada pelos movimentos feministas e femininos para conceituar a morte de mulher em razão de motivação sexual e com características machistas.

Até há algum tempo, a prática de femicídio era tratada como homicídio. Matar homem! Nesse conceito, incluí-se, a morte de mulher. Com o novo conceito, espera-se que de imediato fique claro o gênero da pessoa assassinada, melhorando as estatísticas para possibilitar a promoção das lutas de combate à violência contra a mulher.

Segundo divulgação da agência Adital, o vocábulo femicídio foi usado em 1985 por Mary Anne Warren. A antropóloga estadunidense estudava o porquê do assassinato de tantas jovens mulheres entre 15 e 44 anos de idade e observou que muitos registros não informavam o sexo da pessoa assassinada, dificultando a pesquisa.

Percebeu também que em razão de questões sexuais e de machismo, as mulheres daquela faixa etária tinham uma probabilidade maior de morrerem assassinadas do que de diversas doenças.

Femicídio não pode ser confundido com feminicídio e com generocídio. Feminicídio é assassinato de mulher em virtude de motivação política ou político-eleitoral. Generocídio é o assassinato massivo de pessoas de um determinado sexo, gênero. Pode, pois, ser o assassinato de muitos homens, segundo o estudo de Anne Warren.

Texto: Paulo Bomfim – www.ongdeolhoss@bol.com.br; blog: http://www.ongdeolho.blogspot.com

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