Wellington de Oliveira sofria bullying e era fã de jogos de tiro

por Bruno Rousso

Viciado em jogos de tiro, fissurado em ataques terroristas e vítima de bullying. Segundo um amigo, este era o perfil de Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, conhecido na adolescência como Al Qaeda (organização fundamentalista islâmica à qual são atribuídos diversos atentados). Ele foi autor do massacre na escola estadual Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, nesta quinta-feira (7). Ao todo, 11 estudantes foram mortos e outros 13 ficaram feridos. O assassino também morreu.

Marcio Vinicius Moraes da Silva vive hoje em Rio das Ostras, na região dos Lagos, mas estudou com Wellington na escola municipal Ramiz Galvão, também em Realengo, quando ambos tinham 16 anos.

Bom aluno, o assassino evitava sair de casa e seus papos, na maioria das vezes, eram sobre ações terroristas. O preferido era o episódio das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, quando aviões derrubaram os prédios do World Trade Center, em Nova Iorque.

Ele gostava muito de falar disso. Sempre puxava uma história de terrorismo, de ataque nos Estados Unidos ou em qualquer outra parte do mundo. Ele dizia que conhecia um pessoal do Iraque, mas isso aí era mentira.

O amigo contou ainda que Wellington vivia pelos cantos, era alvo de deboche dos meninos e excluído pelas meninas. De acordo com Márcio, ele era o único a se aproximar de Wellington, que o convidava a visitar sua casa e mostrar os mais recentes e violentos jogos.

Ele era muito estranho, ficava pelos cantos, não falava com ninguém. Por isso, o pessoal caía em cima dele mesmo, zoava o tempo todo. As meninas nem chegavam perto. Só eu falava com ele. Eu visitava muito a casa dele, ele tinha uns jogos estranhos. O quanto mais real e violento, melhor

Marcio conviveu com Wellington por cerca de um ano e meio, antes de se mudar para Rio das Ostras. Contudo, o jeito do amigo era tão esquisito e as recordações tão fortes que a associação entre o nome e o autor do ataque à escola foi instantânea.

Quando escutei o nome e vi que era em Realengo, logo pensei no Wellington. Aí só queria ver a foto para ter certeza. E não deu outra. Fiquei sem palavras.

Entenda o caso

A Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil confirmou no final da manhã desta quinta-feira as mortes de 11 estudantes no ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio. Segundo a pasta, morreram dez meninas e um menino. Os estudantes têm entre 12 e 14 anos. Mais cedo, policiais militares e oficiais do Corpo de Bombeiros informaram que 12 crianças haviam morrido. O atirador também foi morto, mas não chegou a ser socorrido.

As vítimas foram levadas para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, Hospital Universitário Pedro Ernesto, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e Hospital da Polícia Militar.

A secretaria informou que 13 estudantes ficaram feridos – dez meninas e três meninos, dos quais quatro estão em estado considerado grave. O atirador, que foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, e que seria ex-aluno da escola, invadiu uma das salas de aula atirando. De acordo com Sérgio Côrtes, as crianças foram atingidas no tórax, abdômen e cabeça, áreas consideras vitais, o que indica que o atirador tinha intenção de matar.

Eu não esperava na minha vida um momento como esse. Médicos que não estavam de plantão vieram e estão no centro cirúrgico.

Wellington teria tentado fugir, mas foi interceptado por policiais que faziam uma operação na região. Ele estaria com duas armas e teria se suicidado após fazer os disparos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, cerca de mil alunos estudam na escola, dos quais 400 no turno da manhã, do 4º ao 9º ano, com idades que variam entre nove e 14 anos.

O morador Evaldo Machado, que estava na janela de casa, perto da escola, contou como foi a situação.

Eu estava tomando café na janela, quando vi uma correria de várias crianças saindo da escola. Eu contei pelos menos 13 crianças eridas. Elas foram retiradas em carros particulares.

Por volta das 9h30, centenas de pessoas estavam aglomeradas na porta da escola. Policiais isolaram a área e várias ruas no entorno estão fechadas. Dois helicópteros da Polícia Civil foram ao local para ajudar no resgate às vítimas.

Segundo investigadores da Polícia Civil, o homem estava com colete à prova de balas, usava roupa preta e luva. Na carta deixada por ele, havia menções ao islamismo e referências a práticas terroristas.

Fonte: R7.com

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