A Vigilância Sanitária de Alagoas recebeu ontem uma denúncia de que foram encontrados lençóis de hospitais norte-americanos em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. O município faz fronteira com Pernambuco, e, segundo a denúncia, uma dona de casa adquiriu os lençóis em uma loja da cidade pernambucana de Barreiros, a 30 quilômetros da cidade alagoana.

Uma equipe da Vigilância Sanitária do Estado saiu de Maceió para Maragogi na manhã desta sexta-feira para verificar o material apreendido. O diretor da Vigilância Sanitária de Alagoas, Paulo Bezerra, disse que este é o primeiro registro de lençóis de hospitais dos Estados Unidos em Alagoas.

O diretor disse, ainda, que já avisou a todas as vigilâncias municipais, localizadas em cidades de fazem fronteira com Pernambuco, que redobrem a atenção nas fiscalizações nas lojas comerciais para impedir a venda de material vindo de Pernambuco.

A descoberta de dois contêineres com lixo e restos hospitalares trazidos dos EUA para Pernambuco, na semana passada, desencadeou uma série de apreensões no Nordeste de material de hospitais norte-americanos. Após Pernambuco, vigilâncias sanitárias da Bahia, Paraíba, Ceará, Piauí e Alagoas registraram, desde quarta-feira passada, casos suspeitos de reaproveitamento de material indevido.

Além dos produtos norte-americanos, fiscalizações descobriram que lençóis de hospitais brasileiros também estão sendo vendidos livremente em cidades nordestinas.

A suspeita de descarte irregular foi reforçada nesta quinta-feira (20), quando um caminhão que vinha de São Paulo para Santa Cruz do Capibaribe (PE) foi apreendido pela Secretaria da Fazenda com 13 toneladas de retalhos com logomarcas do hospital Santa Izabel, na Bahia. Algumas peças estavam manchadas e foram encaminhadas para análise do Instituto de Criminalística e pela Agência de Vigilância Sanitária de Pernambuco (Apevisa).

Além dessa apreensão, a semana foi marcada por flagras de materiais de hospitais norte-americanos em um hotel, um hospital e à venda em lojas e feiras de Recife, Caruaru e Cupira, todas em Pernambuco. Outros Estados também relataram produtos suspeitos, que estão sendo analisados pelas vigilâncias sanitárias.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a responsabilidade da fiscalização é das vigilâncias estaduais, mas afirmou que os restos hospitalares importados clandestinamente não podem ser utilizados para uso doméstico, como forros e lençóis de cama. Mas, os tecidos descartados por hospitais – tanto nacionais quanto internacionais – podem ser reutilizados por unidades de saúde desde que sejam limpos esterilizados.

“Estes tecidos só devem ser reutilizados após processamento específico que garanta a eliminação do risco, realizado em unidades de processamento de roupas de serviços de saúde”, informa. Em nota técnica, a Anvisa explicou ainda que os tecidos hospitalares importados clandestinamente podem conter riscos biológico, químico e radiológico.

Fonte: O Jornal/Alagoas

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