Archive for junho, 2013


Um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta sexta-feira, 21, que a Jornada Mundial da Juventude, prevista para ocorrer no próximo mês no Rio de Janeiro, pode se desenrolar dentro de um clima de manifestações semelhante ao que vive atualmente o País. Ao comentar os danos na entrada do Palácio Itamaraty, alvo de um grupo de pessoas ontem, o ministro também condenou que os protestos tenham, em alguns casos, virado “expressão lamentável e irresponsável de vandalismo que nos não podemos aceitar”.

“A Jornada pode, nós temos de ter clareza, ocorrer dentro de um clima que não vou dizer igual aos dias de hoje, pois a conjuntura evolui tão rapidamente que não temos como profetizar como vai acontecer, seria temerário. Mas teremos de estar preparados para a Jornada ocorrer inclusive em um clima com manifestações no País”, disse o ministro, durante reunião preparatória para o evento, no Palácio do Planalto. Programada para ocorrer de 23 a 28 de julho, a Jornada Mundial da Juventude é um evento organizado pela Igreja Católica e que este ano receberá o papa Francisco. A reunião de hoje foi aberta a cinegrafistas apenas no início – não foi possível acompanhar todo o discurso do ministro.

Carvalho destacou que, por um lado, o governo vê os protestos como uma celebração da democracia, frisando que foi difícil conquistá-la. “A gente acha que as massas nas ruas são importantes porque significam o engajamento da cidadania na busca pelos seus direitos. A jornada é mais um desses eventos de expressão de cidadania. Agora ao mesmo tempo temos de entender que essas manifestações estão demandando mudanças”, comentou o ministro.

Para Gilberto, os protestos expressam uma “insatisfação popular expressa, às vezes, de maneira mais adequada, às vezes de maneira menos adequada”. Na avaliação do ministro, os manifestantes levantam temas e bandeiras como o combate à corrupção, a exigência de ética na política e a cobrança de serviços públicos de qualidade, exigindo atitudes dos governos – nas três esferas.

Consumo

“E também estão a mostrar essa grande camadas de brasileiros que emergiu da exclusão e que passou a consumir, ela quer novos direitos, e é natural e bom que assim seja. Nós mesmos criamos condições para que houvesse um novo padrão de exigência que temos de correr atrás. E procurar atender essas demandas. A atitude do governo federal desde o primeiro momento foi de ir ao encontro das manifestações, abrir o Palácio para conversas com lideranças, tendo a compreensão de que se trata de um novo tipo de movimento, um novo tipo de liderança”, prosseguiu o ministro.

Carvalho disse que o que preocupa, no momento, é que as manifestações acabam virando palco de “expressão lamentável e irresponsável de vandalismo que nos não podemos aceitar”. A manifestação na Esplanada dos Ministérios reuniu em torno de 30 mil pessoas ontem, segundo a Polícia Militar.

Fonte: Estadão

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Ex-jogador da seleção brasileira e atual deputado federal, Romário mais uma vez usou seu tom crítico para falar sobre a Copa do Mundo no país. Em um artigo escrito para o jornal inglês “The Guardian” intitulado “Este mega evento pode aprofundar os problemas do Brasil, o “Baixinho” detonou a presidenta Dilma Rousseff e a Fifa.

“A Fifa anuncia que terá um lucro de R$ 4 bilhões com a Copa no Brasil, livre de impostos. Esse contraste de lucro fácil contrasta com a total ausência de legados efetivos, como os da mobilidade urbana. A presidenta Dilma Rousseff repete o ex-presidente Lula, afirmando que realizaremos “a melhor Copa de todos os tempos”. Não creio, pois falhamos no item básico, o de deixar à população um legado que orgulhasse a todos nós. Até aqui, só a FIFA está lucrando e é por isso, também, que a população vai às ruas para protestar, com razão”, escreveu Romário.

No último final de semana, Romário rebateu uma crítica de Ronaldo, que deu a entender que seu ex-companheiro de seleção brasileira estava “batendo” na Copa do Mundo para se promover.

Romário se defendeu com uma carta diretamente a Ronaldo: “Uma coisa que você não deve saber, é que uma das funções de deputado é fiscalizar, além da CBF, entidades como a que você faz parte, o Comitê Organizador Local (COL). E ninguém pode dizer que não tenho feito isso”, disse o “Baixinho”.

Veja abaixo o artigo de Romário na íntegra:

Pentacampeão mundial, o Brasil esportivo sempre cultivou o senso comum de que o futebol alienava a população dos problemas sociais. Mas, ironicamente, é a preparação do País para receber a Copa do Mundo que acaba mobilizando brasileiros. Levantando a bandeira sem cor partidária, a população pede o fim da corrupção e do desperdício do dinheiro público, lamentavelmente tão comum em nosso Brasil. Mas os jovens ignoraram o forte apelo do futebol no congraçamento de povos e nações e passaram a promover pacíficas passeatas nas capitais.

Em momento oportuno, essas fortes manifestações populares ocorrem em plena Copa das Confederações, reforçando o ambiente democrático que vivemos. É da rua que vem o apelo para o fortalecimento do Judiciário, por exemplo. Com legislação frágil, é comum se prorrogar o cumprimento das decisões da Suprema Corte, contribuindo para o avanço da corrupção e impunidade dos ladrões do dinheiro público.

Como deputado de primeiro mandato e já em meu terceiro ano legislativo, sinto-me à vontade para criticar, porque há bom tempo me manifesto contra algumas barbaridades que por aqui ocorrem.

Estive com o governo federal quando o Brasil conquistou a sede da Copa do Mundo. Naquele momento, os dirigentes do país e nossa realidade política e econômica eram outras. As projeções para que o Mundial fosse um instrumento eficaz para geração de empregos e renda, promoção do turismo e fortalecimento da imagem do Brasil incentivaram-me a apoiar a proposta para receber a Copa.

Como campeão do mundo, tenho a dimensão do gigantismo e do poder desse evento para as cidades-sedes, em geral. Porém, fomos atingidos, também, pelas turbulências da economia mundial, aqui repercutindo na necessidade de o governo redimensionar sua política de gastos e investimentos, mas sem prejudicar a liberação de recursos para a Copa, mantendo os compromissos firmados com a poderosa FIFA.

Assim, a preparação das cidades para a Copa do Mundo passou a ter prioridade sobre outras necessidades da população. Os financiamentos foram direcionados para obras do futebol, em detrimento da saúde, da educação e da segurança, principalmente. A falta de investimentos na educação, por exemplo, contribuiu para que crescesse o número de pessoas sem ocupação, repercutindo, lamentavelmente, em desocupados que foram para as ruas, aumentando a insegurança nas principais capitais do país.

Em muitas cidades, a situação das instalações escolares é deplorável, sem condições mínimas para que ali se processe um aprendizado adequado pelos jovens. Os professores da rede pública, por sua vez, são muito mal remunerados. A desmotivação desses profissionais repercute no desempenho de suas funções e o resultado dessa falta de prioridades para o setor é que o Brasil figura em penúltimo lugar no índice de qualidade da educação, num ranking de 39 países, segundo a empresa Pearson. Pior: um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no abandona a escola antes de completar a última série, segundo Relatório de Desenvolvimento 2012 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU).

Na área da saúde a situação é grave e preocupante. São comuns os casos de doentes que recorrem aos hospitais públicos e têm seus problemas agravados pela falta de profissionais e até medicamentos para os primeiros socorros. Seguidamente, a imprensa registra mortes de pacientes em longas filas de hospitais, sem que ele tenha o atendimento inicial. Quem responde por essa irresponsabilidade criminosa?

Os problemas na educação, saúde e segurança vêm de governos anteriores, colocando o país em situação de vulnerabilidade social, apesar do fortalecimento dos índices de nossa economia. O país está entre as 10 maiores potências mundiais, mas como entender esse honroso ranking diante de necessidades extremas da população, com prejuízos sociais evidentes?

É nesse contexto que o Brasil se prepara para 2014. Não creio que a Copa resolva todos os nossos problemas, mas, como tenho dito, há um grande risco de que esse megaevento aprofunde os que já temos.

Ainda no governo do então presidente Lula da Silva, a proposta era termos um evento com participação maciça da iniciativa privada e transparência nos gastos públicos. Ocorreu exatamente o contrário. De um orçamento inicial de R$ 25,5 bilhões para estádios, mobilidade urbana, melhorias em portos e aeroportos, temos, hoje, investimentos de R$ 28 bilhões, segundo o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luiz Fernandes. Mas, na minha avaliação, este orçamento ainda pode aumentar muito.

Por que estamos organizando a mais cara das últimas Copas, sem os legados comunitários prometidos? A Copa no Brasil já está custando espetaculares R$ 28 bilhões de financiamentos e investimentos públicos, quase três vezes o aplicado na Alemanha, em 2006, e no Japão, em 2002. E o que dizer da África do Sul, que gastou quatro vezes menos do que o Brasil, R$ 7,1 bilhões? Além disso, os gastos de todas as cidades sedes foram além do previsto na reforma ou construção dos seus estádios. Em Brasília, capital da República, o Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou o pagamento de serviços em dobro e até de serviços não realizados. Além disso, do orçamento inicial de R$ 650 milhões, o estádio de Brasília já consumiu R$ 1,2 bilhão, praticamente o dobro do previsto inicialmente.

Quanto às obras de mobilidade urbana para melhorar o tráfego nas cidades sede a situação é caótica. Dos 82 empreendimentos previstos, 25 não cumpriram o cronograma e apenas três mantêm orçamentos atualizados e prazos em dia. Se forem concluídas, estas reformas representarão apenas 5% do que estava previsto. Uma vergonha para o governo e ótimos motivos para a população protestar, com razão.

São números como esses que nos deixam indignados e contribuem para que apoiemos as manifestações populares, a fim de inverter a lógica desse sistema que privilegia o capital em detrimento do social. Não será para no estádio de futebol que os brasileiros buscarão a cura para suas doenças. E já não encontram socorro nos hospitais públicos, pois esse sistema está falido e precisa de uma reação enérgica do governo, sob pena de fragilizar a autoridade institucional.

Enquanto isso, a FIFA anuncia que terá um lucro de R$ 4 bilhões com a Copa no Brasil, livre de impostos. Esse contraste de lucro fácil contrasta com a total ausência de legados efetivos, como os da mobilidade urbana. A presidenta Dilma Rousseff repete o ex-presidente Lula, afirmando que realizaremos “a melhor Copa de todos os tempos”. Não creio, pois falhamos no item básico, o de deixar à população um legado que orgulhasse a todos nós. Até aqui, só a FIFA está lucrando e é por isso, também, que a população vai às ruas para protestar, com razão.

Fonte: MSN Esportes

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